Parece um pouco estranho pois o mês de Julho é mais de colheita do que semeadura.
Sendo que a pêra é um fruto, proveniente de árvore que mais se usa de fazê-la por enxerto, aproveitando o desenvolvimento do antigo com o novo, também parece um pouco estranho o provérbio.
Mas...
Se tomarmos as pêras não como fruto directamente mas como algo que nos serve de recompensa após os trabalhos da ceifa e da debulha não se deve descurar a horta semeando praticamente todos os artigos desta que usamos na alimentação, para o início do tempo frio (agrião, alface,beldroega, cenoura, nabo, rabanete, salsa).
terça-feira, 21 de julho de 2009
sábado, 18 de julho de 2009
Em Julho, beber e suar e o fresco em balde buscar
Aqui temos mais um provérbio climatológico ao alertar para os calores do mês de Julho.
Na realidade este mês é tradicionalmente quente em Portugal, e porque não na Península Ibérica, especialmente durante o período diurno. Por vezes até a noite é calmosa e quente, dando pouco alívio ao ambiente diurno.
Daí que seja natural uma maior corrida à agua fresca para refrescar e matar a sede, tal como a maior tendência à sudação pela parte do corpo humano.
E o fresco que se busca no balde tanto pode ser a água fresca do poço para beber ou para molhar o corpo na tentativa de obter algum alívio.
Em terras de Espanha existe igualmente um refran de efeito similar ao nosso que aqui comentamos:
"En Julio, donde anda el mozo? En la acequia o en el pozo".
Já os mouros espanhois diziam:
"En Julio se muere un hombre de sed entre un pozo y una aljibe".
Que a água do poço esteja fresca!
Na realidade este mês é tradicionalmente quente em Portugal, e porque não na Península Ibérica, especialmente durante o período diurno. Por vezes até a noite é calmosa e quente, dando pouco alívio ao ambiente diurno.
Daí que seja natural uma maior corrida à agua fresca para refrescar e matar a sede, tal como a maior tendência à sudação pela parte do corpo humano.
E o fresco que se busca no balde tanto pode ser a água fresca do poço para beber ou para molhar o corpo na tentativa de obter algum alívio.
Em terras de Espanha existe igualmente um refran de efeito similar ao nosso que aqui comentamos:
"En Julio, donde anda el mozo? En la acequia o en el pozo".
Já os mouros espanhois diziam:
"En Julio se muere un hombre de sed entre un pozo y una aljibe".
Que a água do poço esteja fresca!
sábado, 4 de julho de 2009
Em Julho, a água do rio não tem barulho
Já entrámos no mês de Julho, mês que deve o seu nome ao autor do calendário juliano, Júlio César.
Também é verdade que o orago do seu primeiro dia é S. Júlio.
Mas o provérbio que dá o título tem a verdade de todos os ditados populares, mais a mais se considerado pelo hemisfério Norte.
Sendo o primeiro mês completo do Verão da metade setentrional da esfera terrestre o seu clima caracteriza-se por tempo quente e seco, de precipitação escassa ou quase inexistente.
Normalmente, o caudal dos rios e ribeiras baixa significativamente, parecendo por vezes que as águas não correm e estão paradas.
De tão baixo caudal nem se dá por tal!
Também é verdade que o orago do seu primeiro dia é S. Júlio.
Mas o provérbio que dá o título tem a verdade de todos os ditados populares, mais a mais se considerado pelo hemisfério Norte.
Sendo o primeiro mês completo do Verão da metade setentrional da esfera terrestre o seu clima caracteriza-se por tempo quente e seco, de precipitação escassa ou quase inexistente.
Normalmente, o caudal dos rios e ribeiras baixa significativamente, parecendo por vezes que as águas não correm e estão paradas.
De tão baixo caudal nem se dá por tal!
sábado, 27 de junho de 2009
Por Junio el mucho calor, nunca assusta al buen labrador
Aqui temos um provérbio de origem castelhana que ainda não encontrei nos portugueses o seu par.
No entanto, sendo um provérbio de cariz climático, tendo o seu sentido ligado aos primeiros calores abafadiços que são habituais neste mês, embora ainda de curta duração e intervalados por dias mais frescos e às vezes, até para o molhado, faria todo o sentido existir um similar em Portugal, face a que muitas regiões do país têm climas muito similares a de certas regiões de Espanha, e até as próprias actividades campesinas são por vezes muito paralelas.
As regiões alentejanas, do interior dos distritos de Beja e Évora, têm uma certa similitude de clima e de actividades rurais com as suas correspondentes mais leste, em Espanha, as da Extremadura espanhola.
Este é apenas um caso entre muitos.
E porque é que o muito calor não assusta ?
Primeiro, porque este apenas se repercute em alguns dias, não sendo uma constância em todo o mês em questão.
Segundo, porque sendo a época final dos cereais de início de ano, trigo e centeio, o calor será bom no amadurecimento final do grão do cereal.
Quanto aos frutícolas encontrando já na fase pré finalização o calor não é contraproducente ao invés de qualquer hidrometeoro.
Esperemos que alguém ajude com o seu similar português!!!!
No entanto, sendo um provérbio de cariz climático, tendo o seu sentido ligado aos primeiros calores abafadiços que são habituais neste mês, embora ainda de curta duração e intervalados por dias mais frescos e às vezes, até para o molhado, faria todo o sentido existir um similar em Portugal, face a que muitas regiões do país têm climas muito similares a de certas regiões de Espanha, e até as próprias actividades campesinas são por vezes muito paralelas.
As regiões alentejanas, do interior dos distritos de Beja e Évora, têm uma certa similitude de clima e de actividades rurais com as suas correspondentes mais leste, em Espanha, as da Extremadura espanhola.
Este é apenas um caso entre muitos.
E porque é que o muito calor não assusta ?
Primeiro, porque este apenas se repercute em alguns dias, não sendo uma constância em todo o mês em questão.
Segundo, porque sendo a época final dos cereais de início de ano, trigo e centeio, o calor será bom no amadurecimento final do grão do cereal.
Quanto aos frutícolas encontrando já na fase pré finalização o calor não é contraproducente ao invés de qualquer hidrometeoro.
Esperemos que alguém ajude com o seu similar português!!!!
quarta-feira, 24 de junho de 2009
São João namoradeiro, Santo António casamenteiro
A festa de S. João, normalmente iniciada na noite que antecede o dia e que se estende madrugada fora até aos alvores do próprio dia, é bastante propícia em épocas de trabalho, a se iniciarem os derriços.
Dos três santos populares, que neste mês congregam as festas juninas, a de São João costuma ser a mais animada, até porque sendo próxima do solstício de Verão no hemisfério Norte, tem uma noite curta para um período diurno bem longo.
Depois já é uma festa de Verão, ao contrário de Santo António que é uma festa de fim de Primavera.
Em muitos locais a madrugada deste dia 24 de Junho, era preenchida por bailes que duravam enquanto houvesse gente com ganas de festejar o santo, o que representava toda a madrugada.
Quando a alvorada mostrava todo o seu esplendor, era altura de os bailadores, tocadores e cantadores, agrupados em pares, abandonarem o local do baile e seguirem em direcção aos canaviais que existissem nas redondezas. Normalmente os locais dos canaviais são locais frescos e com existência de água.
Durante o percurso, a música continuava tal como o cantar ao desafio, e uma vez chegados ao local aproveitam para refrescar e descansarem de uma noite de folia e dança.
Depois já manhã feita, quando o Sol já calava alto era o regresso e os pares traziam caniços apanhados no local, ainda verdes.
Claro que nestes andamentos por vezes nasciam ou consolidavam-se namoros, os quais quando frutificavam passavam à regência do santo do ministério do casamento, no ano seguinte.
Daí a razão do provérbio que serve de título a este naco de prosa!
Não posso deixar de referir aqui um provérbio castelhano também relacionado com o S. João:
"Sanjuanada (24 de Junio) venida, primavera ida."
Dos três santos populares, que neste mês congregam as festas juninas, a de São João costuma ser a mais animada, até porque sendo próxima do solstício de Verão no hemisfério Norte, tem uma noite curta para um período diurno bem longo.
Depois já é uma festa de Verão, ao contrário de Santo António que é uma festa de fim de Primavera.
Em muitos locais a madrugada deste dia 24 de Junho, era preenchida por bailes que duravam enquanto houvesse gente com ganas de festejar o santo, o que representava toda a madrugada.
Quando a alvorada mostrava todo o seu esplendor, era altura de os bailadores, tocadores e cantadores, agrupados em pares, abandonarem o local do baile e seguirem em direcção aos canaviais que existissem nas redondezas. Normalmente os locais dos canaviais são locais frescos e com existência de água.
Durante o percurso, a música continuava tal como o cantar ao desafio, e uma vez chegados ao local aproveitam para refrescar e descansarem de uma noite de folia e dança.
Depois já manhã feita, quando o Sol já calava alto era o regresso e os pares traziam caniços apanhados no local, ainda verdes.
Claro que nestes andamentos por vezes nasciam ou consolidavam-se namoros, os quais quando frutificavam passavam à regência do santo do ministério do casamento, no ano seguinte.
Daí a razão do provérbio que serve de título a este naco de prosa!
Não posso deixar de referir aqui um provérbio castelhano também relacionado com o S. João:
"Sanjuanada (24 de Junio) venida, primavera ida."
sábado, 13 de junho de 2009
Sol de Junho madruga muito
O mês de Junho para os que vivem no hemisfério Norte representa o período do ano em que a Terra obtém a sua maior inclinação do seu eixo em relação à linha Terra-Sol, expondo durante mais tempo a metade Norte à radiação solar.
Junto ao dia de São João, atinge-se essa inclinação máxima, ou seja o solstício de Verão. Será exeactamente nesse dia em que o período diurno da vinte horas do dia será o mais elevado, por contraposição ao período noturno que será o de menor duração.
Sendo que o período diurno se deve estender equitativamente pelo período de tempo que o movimento do sol faz desde o seu nascimento até ao seu ocaso, centrado no momento da passagem meridiana pelo meridiano do lugar, não só isso irá implicar um período matinal, ante-meridiana, longo como um outro período vespertino, pós-meridiana, de igual duração.
Assim o nascimento do sol é cedo e o seu ocaso tarde. Se pensarmos numa duração de período diurno da ordem das catorze horas, isto significa que o período matinal terá uma duração de sete horas e o vespertino igualmente sete horas.
Se é verdade que o Sol de Junho madruga muito, também podemos dizer que tarde vai para o seu ocaso.
" JUNIO ES TODO DIA; LOS VIEJOS Y ACHACOSOS TIENEN MÁS VIDA".
Junto ao dia de São João, atinge-se essa inclinação máxima, ou seja o solstício de Verão. Será exeactamente nesse dia em que o período diurno da vinte horas do dia será o mais elevado, por contraposição ao período noturno que será o de menor duração.
Sendo que o período diurno se deve estender equitativamente pelo período de tempo que o movimento do sol faz desde o seu nascimento até ao seu ocaso, centrado no momento da passagem meridiana pelo meridiano do lugar, não só isso irá implicar um período matinal, ante-meridiana, longo como um outro período vespertino, pós-meridiana, de igual duração.
Assim o nascimento do sol é cedo e o seu ocaso tarde. Se pensarmos numa duração de período diurno da ordem das catorze horas, isto significa que o período matinal terá uma duração de sete horas e o vespertino igualmente sete horas.
Se é verdade que o Sol de Junho madruga muito, também podemos dizer que tarde vai para o seu ocaso.
" JUNIO ES TODO DIA; LOS VIEJOS Y ACHACOSOS TIENEN MÁS VIDA".
quinta-feira, 11 de junho de 2009
A Evolução nas Famílias
Não se vai dizer nada que não seja do conhecimento comum, apenas constatamos um facto que todos nós já o podemos verificar nas nossas vidas.
Todos nós conhecemos de casos em que numa família, humilde e de parcos recursos, surge em determinado momento alguém que consegue com o seu esforço, dedicação e interesse, singrar na vida iniciando algo, industria ou comércio ou ideia, o qual conduz a um desenvolvimento que normalmente se traduz em riqueza, possibilitando à geração seguinte (filhos) uma possibilidade de desenvolvimento já a partir de um certo nível.
Com o continuar dos tempos aparece a terceira geração netos, normalmente e justificadamente orgulhosos do poder alcançado pelos seus antecessores. Mas muitas das vezes esse orgulho descamba para outros tipos de orgulhos e atitudes e normalmente o resultado é o desabar do império entretanto construído.
Por vezes à quarta geração nada chega do que houve nas anteriores!
Uma forma mais rápida de poder resumir tudo isto, poderá ser:
De la pobreza, la industria;
De la industria, la riqueza;
De la riqueza, el orgullo;
Del orgullo, la pobreza.
Todos nós conhecemos de casos em que numa família, humilde e de parcos recursos, surge em determinado momento alguém que consegue com o seu esforço, dedicação e interesse, singrar na vida iniciando algo, industria ou comércio ou ideia, o qual conduz a um desenvolvimento que normalmente se traduz em riqueza, possibilitando à geração seguinte (filhos) uma possibilidade de desenvolvimento já a partir de um certo nível.
Com o continuar dos tempos aparece a terceira geração netos, normalmente e justificadamente orgulhosos do poder alcançado pelos seus antecessores. Mas muitas das vezes esse orgulho descamba para outros tipos de orgulhos e atitudes e normalmente o resultado é o desabar do império entretanto construído.
Por vezes à quarta geração nada chega do que houve nas anteriores!
Uma forma mais rápida de poder resumir tudo isto, poderá ser:
De la pobreza, la industria;
De la industria, la riqueza;
De la riqueza, el orgullo;
Del orgullo, la pobreza.
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